Fotografia Parto Humanizado Carol Florianopolis Sc–2

Relato de Parto – Nascimento Sophia

Conheci a Carol há alguns anos. Trabalhamos juntas no Social Good Brasil. <3 Como diretora de uma organização admirada por muitos e com a maior parte formada por mulheres, ela sempre se dedicou a ouvir o que estava por trás de nossos pensamentos. E um deles foi a criação do Save the Love. A Carol também foi uma das primeiras a acreditar na proposta de registros com afeto, me convidando para registrar o aniversário de dois anos do seu filho mais velho, Theo.

De lá pra cá, venho fazendo parte da história desta família cheia de amor. Desta vez, combinamos de criar uma narrativa que contasse a gestação da Sophia indo além das fotos somente da mulher ou do casal, mas também incluindo as pessoas mais importantes na vida da família, como os avós, dindos e o próprio Theo (que já recebeu a mana cheio de amor). E assim, cocriamos um registro que teve quatro momentos.***

Na noite em que fui acionada para fotografar o parto na casa da Carol e do Henrique, passava da meia noite. Estava prestes a deitar, já com a câmera, baterias e cartões à postos no quarto ao lado do meu. Enquanto passava pelas fotos do Instagram, dei um pulo quando vi a mensagem de Henrique pular no grupo do whatss. “As contrações começaram”, ele disse. E assim, saltei do sofá energizada por aquele dia chegar. Meu namorado não entendeu a minha reação, mas prontamente foi se arrumar para me levar lá. Nossa casa fica há 30 quilômetros de distância, chovia e o carro dava sinais de que precisava de uma vistoria. Ele foi meu piloto de fuga. Nunca chegaria tão rápido. E foi assim que…

Em vez de continuar o meu depoimento, decidi contar o Dia do Parto a partir do relato da Carol publicado em seu Facebook. Nada melhor do que as palavras de uma vivência tão transformadora  a partir da mãe. Acredito na importância das palavras para inspirar, sensibilizar e conectar as pessoas. E a partir de agora os partos sempre carregarão os relatos das mulheres contando suas experiências, aprendizados, alegrias e dores, ou seja, tudo que contempla a transformação deste acontecimento em suas vidas. <3


NASCIMENTO SOPHIA, POR CAROLINA DE ANDRADE

“Às 2h25 da madrugada do dia 19 de dezembro Sophia nasceu. Sagitariana, faz aniversário 7 dias após o irmão mais velho, Theo, que é de 12 de dezembro.

O parto foi suave e rápido. Na verdade ele foi longo e rápido. Longo pois comecei a sentir cólicas e contrações de treinamento dias antes, já estava bem desconfortável pra dormir. Rápido pois o parto começou as 11h40 da noite de 18 de dezembro, ou seja, 2h45 de parto superando a velocidade do parto do Theo que foi 3h40.

Após ter participado de um encontro lindo do “Amor Exigente” que meu pai nos convidou, em que ele homenageou e expressou todo seu amor pelo nosso Rodrigo que foi para outra dimensão durante a gestação da Sophia, chegamos em casa, eu bem cansada, antes de dormir, resolvi abrir uma carta para sintonizar e relaxar, e veio a carta “A FORÇA”. Mal sabia conscientemente que iria precisar dela em poucas horas, eu até pensei nisso “que carta boa para o parto”.

Eu nem dormi e veio a primeira contração tão suave que eu achei que fosse passar como as outras, mas ela ritmou a cada 10 minutos e na quarta contração eu sabia que tinha começado, só estava supresa por ser tão leve. Acordei Henrique Bussacos que imediatamente começou a organizar tudo e chamar as doulas. Não muito tempo depois chegou meu anjo, Fernanda Piske, ela trouxe sorriso e calor, o sorriso para meu rosto, e o calor nas suas bolsas térmicas e massagens maravihosas que aliviaram ainda mais as contrações. Fui um pouco no chuveiro, mas o que eu queria mesmo era o chão, assim como no parto do Theo, eu queria o chão. Se tivesse terra queria a terra. Sou eu Taurina com ascendente em Touro, sou terra. O chão me conforta e fui pra ele na sala onde tinha mais espaço e tinha o sofá pra eu apertar com as mãos e me apoiar. Aos poucos foram chegando Ana Paula Santos, que veio registrar em forma de fotografias maravilhosas Save the Love, e logo depois Patricia Coelho, mais uma anja doula madrinha maravilhosa. Minha posição não mudava, eu só sentia as pessoas chegando no ambiente. Sentia Henrique colocando a playlist do parto. E assim também eu senti meu irmão Rodrigo, senti ele comigo e fiquei com vontade de chorar de saudades. Mas as contrações me chamavam de volta ao parto, meu foco era o parto naquele momento, e eu não chorei, eu só pensei. Assim como pensei tudo o que estava nascendo naquele parto, tudo o que eu e Sophia vivemos juntas na gestação, as transformações que eu iria parir junto. E neste universo que passa por dentro de nós durante um parto, eu me conectei com toda a força daquela carta que eu tirei, com toda a espiritualidade que estava ali pra me amparar. E aí meu outro anjo chegou, o médico Dr. Pablo De Queiroz Santos, ele examinou o batimento cardíaco da Sophia, e me disse em seguida: “ela vai nascer logo, olha onde eu ouvi o batimento dela…”. Ela estava bem baixa. Foi tão bom ouvir isso e ao mesmo tempo estranhei tanto pois as contrações doíam mas eram tão suportáveis e tinham tantos intervalos, diferente do parto do Theo que parecia que eu não ia conseguir suportar tanta dor e elas não cessavam. E comecei a sentir vontade de expulsar, estranhava e não fazia força ainda. E Dr. Pablo me disse: “pode fazer força quando tiver vontade, você já está tendo a contração do expulsivo”. E eu pensei dentro de mim “Que bom! já?!”. Parecia uma conversa telepática, porque eu não conseguia falar nada. E aí para o expulsivo eu mudei de posição para facilitar, e Henrique veio como apoio nas minhas costas. Foi no expulsivo que meu maior desafio veio. Eu fazia força mas parecia que eu não tinha força suficiente e eu não tinha vontade de fazer tanta força mesmo. Mas a contração do expulsivo foi aumentando e aumentando, ficando maior do que eu, não precisava mesmo me esforçar pra fazer força, a força era feita pelo meu corpo de forma quase involuntária. A dor era maior que das contrações, mas eu estava focada, ela tinha que nascer, e estava chegando a hora de nos conhecermos. Pra mim o expulsivo estava sendo longo, como um caminho difícil de seguir que eu estava cansada sem muita energia mas tinha que continuar. Eu respirava fundo e continuava. E foi em mais de uma dessas forças que Sophia nasceu ao som de “Chão de Giz” do Zé Ramalho (versão O Grande Encontro: Alceu, Elba e Geraldo Ao Vivo) . E logo veio para os meus braços, e nasceu em seguida a placenta, super rápida. Esperamos o cordão pulsar sangue pra ela. Henrique cortou. E fomos para o nosso quarto.

Eu estava exausta, sentia a dor muscular de quem fez muita força, precisava deitar mais confortável e descansar. Lá deitada dei o peito para Sophia mamar pela primeira vez, e ela pegou super bem e já mamou. Colocamos uma roupa quentinha e ela dormiu até o dia seguinte. Estava alimentada, quente, saudável e provavelmente cansada como eu.

E foi então pela manhã de 19 de dezembro que Theo conheceu sua irmã ao acordar. Foi tão perfeito ele estar presente no parto mas de forma protegida, no seu sono, e conhecer a maninha de forma delicada assim como ambos são, tão delicados.

Nossa família se completou.

O amor cresceu!

Sophia chegou com A FORÇA.

Estava escrito na leitura da carta assim: “Dando comida aos outros, adquirimos mais força. Vestindo os outros, ganhamos mais beleza. Oferecendo moradas de pureza e verdade, adquirimos grandes tesouros.” BUDA”

*** Em breve aqui no Blog vou compartilhar a narrativa, que terá fotografias do almoço de domingo na casa da vó com os dindos, um ritual de bençãos cheio de acolhimento entre as amigas e doulas, além do registro dos primeiros dias da Sophia em casa, ao lado das avós e das outras duas dindas que vieram de Porto Alegre para passar o Réveillon. A história deste momento de vida da família será materializada num fotolivro Save the Love. A intenção é guardar para Sophia ver no futuro como a família vivia aquele momento. E também para Theo poder ver como fez parte deste momento, além do ambiente de amor e acolhimento em que também nasceu e foi acolhido há 3 anos.

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