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Narrativa Família Versteeg-Vedana | O Natal que transcende gerações

Mais um Natal está chegando. Pra você, qual é o sentido desta data? Cada um enxerga de uma maneira, muitas vezes alinhada com o que teve de experiências em família ao longo da vida. Pra mim, tem a ver com essa energia boa em que se desdobra o mês que finda o ano, indo muito além do que compramos para presentear os parentes e amigos ou daquelas fotografias montadas num cenário para entrar no clima natalino. Acredito que o sentimento desta época tem a ver com as trocas verdadeiras que nos conectam ainda mais com quem amamos. Daquelas viagens que encurtam as distâncias com as pessoas que moram longe, porém estão sempre em nossos corações. É um momento de ressignificar as relações, pensar no ano que passou e também no que está porvir.

Lá na casa da Flor, do Henrique e da Emilia, toda véspera de Natal eles saem em busca de uma árvore e passam uma manhã inteirinha na montagem. Desta vez tive a missão de registrar um dos momentos mais esperados do ano na casa da família – e você vai descobrir porque nesta narrativa de amor criada especialmente para a família Versteeg-Vedana!

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O Natal que transcende gerações

No sábado em que montariam a tão aguardada Árvore de Natal, o dia amanheceu com nuvens e gotas de chuva que faziam com que o tempo lembrasse o inverno, indo contra a época primaveril. Mas isso não foi motivo para adiar a missão do dia. Emilia acordara animada, deixando pistas pela casa dos enfeites preparados com a mãe na mesma semana.

Na casa da Florentine e do Henrique Versteeg-Vedana, a montagem da árvore é tradição e carrega lembranças especiais de várias gerações. A pequena Emilia, que passou o final da gestação na barriga da mãe em torno de um aconchegante clima natalino, fica toda animada com as novidades trazidas pelos pais a cada ano, como luzes coloridas que se juntam aos adornos que foram de sua avó, repassados à sua mãe e que um dia ela compartilhará com quem vier a ser parte da família.

Antes de preparar o guarda-chuva e as botas de borracha vermelhas de Emilia para enfrentar – ou pular – nas poças de água pelo caminho, tem o café da manhã com uma montanha de pequenas panquecas doces preparadas por mãe e filha para se misturar às geleias de morango ou uva. As duas juntam-se ao pai na mesa e dividem uma sintonia única em brincadeiras propostas pela própria Emilia, proporcionando uma interação gostosa e boas risadas na refeição que os reúne toda manhã.

O Natal dos Versteeg-Vedana tem comemorações divididas por Continentes. Num ano é na Holanda, com a família da Flor, e outro no sul do Brasil, onde reside os pais de Henrique. Um fotolivro traz imagens reveladas que se transformam em memórias dos Natais celebrados ao longo dos anos da casa da avó de Flor, a dona Danuta, uma polonesa que carregava a tradição do seu país para as celebrações. Da sopa borsch, de beterraba, aos pães cortados e divididos entre a família na hora dos Votos de Natal. Os homens só podiam tirar a gravata quando a vó autorizasse e o mais novo entre os familiares era o responsável por acender e apagar as velas do jantar. Quando o marido de dona Danuta faleceu, em 2005, ela se mudou para a Holanda e os Natais passaram a ser comemorados por lá. A casa, que guardava memórias da infância e adolescência de Flor em Londres, foi substituída por um apartamento em outro país,  mas a alegria não deixou de ser vivenciada por quem estava presente. No entanto, quando a matriarca faleceu, levou consigo o jeitinho de anfitriar os encontros e as festas que só ela sabia dar.

Das roupas estranhas da época às formalidades dos jantares, Flor ri dos primos e de si ao lembrar daqueles momentos. Ela sempre buscou transmitir esse amor ao Natal para a sua família. Junto com Henrique, ela cuida para fazer os mínimos detalhes desta época com intenção, celebrando esse espírito mágico do Natal – já apagado em muitos corações. Para Henrique, quando a Emilia deixar de acreditar em contos de fada, super heróis ou bruxas, personagens do imaginário infantil, ela vai perceber que cresceu. Até lá, todo Natal vai ser dedicado a carregar um pedacinho do espírito que começou lá na família da Flor, fazendo um esforço muitas vezes pelos familiares que não estavam acostumados a vivenciá-lo, para manter a magia na vida da filha.

Flor gosta das árvores de verdade. As mais usadas pelos brasileiros são as de plástico. Pela experiência desta fotógrafa ao acompanhá-los, nada se compara ao cheirinho de uma Floricultura rodeada pelo verde que faz nosso ar ficar mais puro. Acaba se tornando um ritual: ir até o local, ver se as árvores chegaram, voltar dividindo espaço com o pinheiro no carro – enquanto a chuva ainda insistia cair lá fora, usar o húmus da composteira doméstica para completar a terra no vaso. Além de escolher uma árvore, juntos. E até cuidar dela na chuva, como fez Emilia, esticando seus curtos braços para alcançá-la com seu guarda-chuva colorido.

Além de ser uma manhã cheia de cores, memórias e entrega ao som de playlists natalinas no Spotify, o dia dá início a uma temporada de reflexões. É momento de pensar no ano seguinte e de aproveitar a casa mais bonita e acolhedora. O apartamento que ganha os ares natalinos fica na Lagoa da Conceição, em um bairro agitado, porém num lugar escondidinho e charmoso. Flor e Henrique se mudaram quando Emilia tinha apenas 5 meses. Foi nas areias das praias da Ilha que ela deu os primeiros passos. A filha, que faz aniversário em 29 de dezembro, também foi o motivo que levou o casal a sair da enérgica São Paulo, empreendendo uma empresa que conquistou o coração de Floripa e está sempre ganhando novos ares em vários cantinhos do Brasil.

verdadeira história do Natal começou antes do nascimento de Jesus. Ela foi criada para celebrar o solstício de Inverno, a noite mais longa do ano no hemisfério norte, que acontece neste mesmo período. A volta dos dias longos de sol levou a várias tradições uma forma de comemorar. Em comum, mesa farta e presentes trocados, mantendo uma celebração por muitas vezes por vários dias. Lá na Holanda, país onde Flor nasceu, a árvore só podia ser montada depois do dia 5 de dezembro, após o feriado de São Nicolau – que mais tarde viria a ser reconhecido como Papai Noel

O final da manhã na casa da Flor, do Henrique e da Emilia despertou um pouco desta beleza. Ao final da montagem da árvore, eles abriram uma caixa de chocolates que aguardava apenas tal ocasião. Emilia correu à porta do armário, sorrindo com a felicidade de uma criança após uma experiência única e divertida com os pais. O docinho deu boas-vindas ao presente colocado no pé da árvore, um globo de neve que trouxe junto com os flocos algumas chacoalhadas e gargalhadas.

Uma bela forma de encerrar um sábado, que poderia ser como outro qualquer, mas foi marcado pelas memórias que transbordavam a árvore montada naquele dia, assim como o abraço que guarda reencontros e despedidas da família em cada Natal.

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