Casamento Juareza Remacidio Novo Hamburgo Rs 41

Narrativa de Casamento Juareza e Remacídio | Amor vence todas as barreiras

O casamento da dona Juareza, 69, e do seu Remacídio, 76, aconteceu no dia 15 de setembro, em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul. Cheguei um dia antes com a Cátia, filha da Ju, pra conhecer a noiva e me inteirar de tudo que aconteceria no dia seguinte já pela manhã. Desde que a Cátia me contou a história da mãe com o Re, senti uma vontade enorme de retratá-la, porque lembrei do quão doce é esse sentimento que chamamos de amor e de que talvez nem eles sentissem a necessidade de retratá-lo por não ser o “padrão” de um casamento tradicional. Fiz questão de ouvir o coração. Ainda bem que a Cátia também aceitou dar esse presentão para a mãe. E assim seguimos rumo à sua cidade natal!

Antes de contar qualquer história, sempre tento entender como é o dia de quem vou fotografar, quais são as pessoas que fazem parte de sua rotina e o que não poderia deixar de ser registrado, algo verdadeiro que realmente conte a história daquela família. Conheci o Re apenas no dia seguinte, quando ele chegou para nos levar ao cartório, mas fiz questão de conversar por telefone para saber como ele estava se sentindo. Perguntei: Qual foi a primeira coisa que chamou a atenção da Ju? Ele respondeu: “a calma dela”. Seguido do fato dela ter aceitado ele e a família dele.

Confira a narrativa de amor de Juareza e Remacídio a partir do olhar afetuoso do Save the Love, que começou um dia antes do casamento e que termina na entrega de um fotolivro com a história!

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Amor vence todas as barreiras

Remacídio foi visitar uma amiga, a Solange, em Novo Hamburgo e ela disse que conhecia alguém que se encaixava no perfil dele. Já que ele saíra de Porto Alegre pra lá, não quis perder a oportunidade de conhecer a mulher que poderia se tornar sua esposa pessoalmente. Usou um telefone de um posto de gasolina para ver se Juareza o atendia.

Ele chegou no portão dela enquanto ela estava descansando no sofá de um jeito despretensioso, como disse: “de calça velha”. Ju o atendeu séria. E já no primeiro instante Re pensava no quão corajosa era a mulher por quem ele se apaixonou. “Me deixou me acomodar no sofá da sala”, contou Re, enquanto explicava a sua proposta para Ju.

Ju se aposentou há alguns meses. Foi a primeira funcionária da loja hoje conhecida mundialmente por sapatos e bolsas e que nasceu em sua cidade: Luz da Lua. Ela estava viúva há 20 anos e não esperava encontrar alguém pra dividir a vida. Com seus filhos já crescidos, ela aceitou o convite do homem que bateu em sua porta com fé em Deus para se conhecerem melhor. Marcaram de almoçar no sábado seguinte. O coração de Remacídio começou a bater forte. E escolheu a churrascaria Primavera para o primeiro encontro, local que veio a ser o da celebração do casamento. “Re não conseguiu comer nada”, lembra com carinho Ju, ao perceber o nervosismo do amado.

Um dia antes de se casarem, a agenda do dia reservava salão de beleza para Cátia e Juareza, enquanto Remacídio trabalhava há cerca de 40 quilômetros dali. Enquanto a filha escolheu cortar o cabelo em casa, Juareza foi no salão da Vera, amiga que atende em sua casa na outra esquina. E lá também encontrou Elisângela, mais conhecida como Neca, sua amiga e também testemunha no casamento civil.

O dia começa cedo na casa de Juareza. Ela acorda e já vai limpando, arrumando, dando comida pro cachorro e cuidando das flores dispostas verticalmente no muro que divide a sua casa e um pequeno corredor onde também fica a casinha de Zulu. E no dia do seu casamento não poderia ser diferente. Estendeu as roupas no varal, varreu a casa, passou um pano nos móveis e, quando a filha chegou da rua com as unhas feitas, ela trocou o pijama pelo vestido de rendas amarelo, assim como os fios do seu cabelo. De maquiagem feita por Cátia, Ju sentou na poltrona do seu quarto para ler a bíblia.

O relógio marcava 10h30 quando mãe e filha se perguntaram onde estava Remacídio. Minutos depois ele ligou para avisar que o trânsito impedira que chegasse mais cedo. O céu escondia as nuvens e pequenas gotas de chuva caiam sobre Novo Hamburgo.

A sexta era especial, mas também era um dia normal. Quando Remacídio chegou, Ju, Cátia e esta fotógrafa que vos escreve entraram no carro rumo ao cartório. As testemunhas já aguardavam os noivos. Neca, uma das melhores amigas de Ju e seu marido, Jorge. Solange, que teve o papel de cupido entre o casal e o irmão. Entre o apitar de uma senha e outra, olhares apreensivos eram trocados entre os viúvos que escolheram o amor como resposta às barreiras da idade ou dos desafios pessoais enfrentados por ambos.

A juíza trouxe uma mensagem linda, que os acalmou. Mas Remacídio trocou as alianças sem querer, colocando a sua no dedo da esposa, e despertou mais uma vez o sorriso de Juareza, algo que ele tanto admira. Papeis assinados, era hora de enfrentar a chuva novamente. O almoço foi naquele restaurante já familiar dos dois, com buffet livre e sobremesa inclusa.

Antes da cerimônia, que seria realizada à noite no Primavera, Re ainda ia buscar o neto, voltar a Porto Alegre, se arrumar e fazer as malas para a lua de mel. Ju ia fazer luzes, pintar as unhas – porque se ela fizesse isso antes as estragaria limpando a casa – e o penteado. Tudo em dois salões, um em frente ao outro, na esquina de sua casa. Recebida com carinho pelas cabeleireiras, ela espiava o espelho enquanto seus cabelos iam mudando, assim como a sua vida.

A chuva continuava. E após todos os compromissos, agora era só esperar o horário chegar para partir rumo ao restaurante que o casal foi pela primeira vez, escolhido também para celebrar a união. O pastor já os esperava, assim como o arranjo de mesa preparado com carinho pela florista que trabalhava ao lado da casa de Ju. Os convidados, parte da família mais íntima e alguns amigos da igreja e do trabalho, também estavam animados pra comemorar com Juareza e Remacídio.

O carinho entre os dois era o mais nítido, assim como o amor construído ao longo de um ano. E aquele abraço de gratidão após a cerimônia veio em resposta ao que sentiam naquele momento em que Deus também os unia, junto aos olhares com lágrimas de alegria por terem dito sim naquele dia. Assim como diriam sim para a vida novamente.

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