#pracegover Ana Paula está com roupa da colação de formatura segurando o capelo com a imagem de uma foca, que representa o curso de Jornalismo.

Meu nome é Ana Paula, mas desde sempre todos me chamam de “Ana”. 😉

Sou uma jornalista e fotógrafa que resolveu juntar duas paixões para criar o Save the Love: ouvir histórias e fotografar pessoas. O jornalismo me ensinou a ter empatia por aqueles que passam pelo meu caminho. Já a fotografia veio aos poucos mudando a forma como percebo a vida ao meu redor. 

No Save the Love faço Registros com Afeto guiados pela Fotografia Documental e a Escrita Afetuosa. Antes de mais nada, quero ouvir o que você tem pra contar sobre o seu momento de vida e as relações de amor mais importantes. Independente de ser um ensaio ou uma data especial pra celebrar, posso fazer apenas o registro das fotos ou também criar uma narrativa para um Fotolivro. Busco registrar momentos cotidianos que revelam histórias de amor. Hoje me chamam até de guardiã do amor.

#pracegover No quintal de uma casa, do lado esquerdo nota-se parte da entrada, no meio uma menina de 8 anos numa bicicleta branca e um cachorro à sua frente. Lá atrás, ao fundo, há um varal com roupas penduradas e um pé de manga.

Quais são as suas fotos favoritas? As minhas são as de infância, especialmente as espontâneas. Eu não tive muitos registros mas os poucos revelam muito do que eu vivi naquela época. Gosto de olhar para uma fotografia e lembrar o que estava acontecendo naquele momento. Ou de descobrir a história por trás da fotografia. As minhas preferidas são algumas tiradas no quintal da casa da minha avó, onde minha família se reunia para o tradicional almoço de domingo, lugar que andei de bicicleta pela 1ª vez e onde também comia manga suficiente pra ficar com os dentes cheios de “fiapos” amarelos.

Quando era pequena meus pais não tinham acesso à câmera fotográfica e não existia o excesso de registros como há hoje. Na verdade, nem espelho grande tinha na pequena casa de madeira que se transformou ao longo dos anos. Por isso acredito em registros com afeto construídos a partir das fotografias de cotidiano atreladas à relatos que são como uma curadoria da vida que passa como um sopro.

Compartilho abaixo um trecho da crônica Recordação, de Antonio Prata, sobre uma conversa que acontece dentro de um táxi, entre o motorista e passageiro, onde o que dirige se recorda da mulher, dos vinte e cinco anos de casamento e dos momentos que não têm registro.

“Nunca vou esquecer: 1º de junho de 1988. A gente se conheceu num barzinho lá em Santos e dali pra frente nunca ficou um dia sem se falar. Até que cinco anos atrás…Fazer o quê, né? Se Deus quis assim…”.

Houve um breve silêncio, enquanto ultrapassávamos um caminhão de lixo, e consegui encaixar um “Sinto muito”. “Brigado. No começo foi complicado, mas agora tô me acostumando. Mas sabe o que é difícil? Não ter foto dela.” “Cê não tem nenhuma?” “Não, tenho foto sim, eu até fiz um álbum, mas não tem foto dela fazendo as coisas dela, entendeu? Tipo: tem ela no casamento da nossa mais velha, toda arrumada. Mas ela não era daquele jeito, com penteado, com vestido. Sabe o jeito que eu mais lembro dela? De avental. Só que toda vez que tinha almoço lá em casa, festa e alguém aparecia com uma câmera na cozinha, ela tirava correndo o avental, ia arrumar o cabelo, até ficar de um jeito que não era ela”.

Vamos conversar? 😉